Vinícius de Moraes
Quinta,
9 de Set
 
O poeta do Sublime
   
A LITERATURA NA VIDA DE VINÍCIUS

      Vinícius de Moraes tem uma obra muito variada. Começou na poesia (a sua principal atividade a vida inteira), passou pelo teatro, cinema e acabou se entregando de corpo e alma à revolução da música.

       Como poeta, ele conquistou lugar de destaque entre os maiores da geração pós-modernista, ao lado de Schimidt, Cecília Meireles, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, Jorge de Lima. Era o mais jovem dessa geração, e foi o crítico Álvaro Lins quem o situou historicamente como pós-modernista.

      Ele já era, naquele tempo, um clássico e um moderno, um poeta de largo sopro elegíaco e um hábil sonetista que podemos classificar como um moderno renovador o modelo camoniano. Tudo levaria Vininha à consagração oficial, mas ele preferiu o contrário. Declarou guerra à solenidade e à sisudez precoce a que não resistiram outros da sua geração. Não se deixou atrair pelo aburguesamento, entregando-se a uma reação oposta: passou a agredir as convenções, assumindo atitudes anti-acadêmicas, anti-burguesas, tanto na vida pessoal como na arte. E passou a viver o seu próprio processo de rebeldia, através do qual rompeu as cadeias que o limitavam, e se afirmou à sua maneira.

      A poesia de Vininha é dividida em duas fases: a primeira é uma poesia sacra, religiosa, revelando sua tendência para o transcedental, para um misticismo estecticizante. É o constante duelo entre a carne e o espírito, entre o sexo e a religiosidade, às vezes até patética, vindo de encontro, frequentemente com o hermetismo.

       Essa primeira fase abrange os livros O Caminho para Distância, Forma e Exegese, a plaqueta Ariana, a Mulher e alguns dos Novos Poemas.

                                               

       O livro O Caminho para Distância foi lançado em 1933: o primeiro livro de Vininha, composto de 40 poemas ligados num só movimento. Segundo o próprio autor, na apresentação da obra, "seus defeitos de idéias são os meus defeitos de formação. Seus defeitos de construção são os meus defeitos de realizador."

                                               

       O segundo livro Foma e Exegese foi lançado em 1935 e lhe valeu o Prêmio Felipe d'Oliveira. São poemas que se caracterizam pelo longo verso retórico, em correspondência ao espírito do autor, que na época era impregnado de religiosidade neo-simbolista.

                                                        

       Ariana, a Mulher foi uma plaqueta lançada pelo poeta em 1936, quando estava servindo em Los Angeles. É o ponto mais alto dessa sua primeira fase.

                                                            

       Novos Poemas já marca uma transição entre a primeira e a segunda fase da poesia de Vina. A linguagem é renovada. Apesar de ainda solena, o poeta demonstra sua capacidade de variar os ritmos, fazendo versos curtos e jogando com formas clássicas, como a do soneto, que às vezes ele transforma em estruturas livres.

       Agora a poesia já toma forma e o lirismo romântico se firma mais do que na primeira fase. É uma fase de aguda consciência e da valorização do erotismo. A poesia passa a ser mais realista, maliciosa; é uma poesia em que a mulher é o principal elemento ao lado do sensualismo, do amor; sem a preocupação de escandalizar os conceitos já ditos pela sociedade. Nessa segunda fase a linguagem é mais direta, simples e concisa, a versificação é mais variada, alternando o verso curto e o comprido, o redondilho, o decassílabo, o alexandrino, o polimétrico. O poeta dá maior importância ao aspecto formal, à pesquisa de expressão. Disso resulta uma maior riqueza de expressão e comunicação lírica.

                                                    

      Nessa fase aparece o livro Cinco Elegias, lançado em 1943 que se caracteriza por uma linguagem direta e ardente, com poemas de grande densidade. Destaca-se aqui o sentido experimental da linguagem, onde o poeta jga com alguns aspectos gráficos em voga na época. A partir desse livro o poeta começa a usar uma sintaxe mais popular e sua lírica se impregna de sensualismo.

                                                 

       O livro seguinte, Poemas, Sonetos e Baladas de 1946, pode ser considerado um momento de síntese. Nele Vinícius realiza a fusão das fases anteriores: a que apela para a transcendência e a dos versos dedilhados ao violão. A partir daí, enriquece os seus poemas com temas de sentido social, surgindo a valorização do trabalho humano e da consciência capaz de ver e denunciar. Começa a surgir a poesia participante.

                                                    

      Em Novos Poemas II, lançado em 1959 ele surge como poeta social, cheio de idéias humanitárias, denunciando a injustiça e a exploração do homem pelo homem. É dessa fase o famoso poema "O Operário em Construção".

                                               

       Para Viver um Grande Amor, de 1961, é o primeiro livro onde aparecem trechos em prosa em meio a novos poemas. É uma coletânea de crônicas de várias épocas, publicadas em jornais e revistas diversas. A maior parte delas, no entanto, saiu no jornal Última Hora entre 1939 e 1962

       Para uma Menina com uma Flor compõe-se de crônicas escritas ao longo de 25 anos de atividade jornalistica, de 1945 a 1966, em diferentes jornais e revistas (Diário Carioca, O Jornal, Manchete).

      Aqui estão expostos os mais importantes livros de suas duas fases, mas ao longo de sua vida o poeta lançou mais livros e mais plaquetas com poemas.

      Literatura Infantil

       O poeta também teve participação importante junto às crianças, quando é lançado A Arca de Noé - Poemas infantis de Vinícius de Moraes. Esse livro é lançado em 1978 pela José Olympio Editora, e faz grande sucesso.

                               

       Nesse livro ele apresenta toda a bicharada e mais alguns objetos para as crianças. O livro é uma coletânea de poemas dedicados a seus filhos. É todo ilustrado por Maria Louise Nery.

       Quando o poeta morreu estava justamente trabalhando em cima desse livro. Ele e Toquinho estavam musicando todos os poemas para lançar em disco. A vontade de lançar um disco com os poemas musicados já vinha desde o nascimento de seu primeiro filho.

      Mas essa não foi a primeira vez que ele fez um disco para crianças. Em 1975, foi lançado na Itália L'Arca Canzoni per Bambini, que atingiu grande repercussão. Nele trabalharam Vinícius de Moraes e Sérgio Bardotti, ficando a interpretação por conta de Sérgio Endrigo. Vinícius também cantava no disco, muitas vezes acompanhado por um coro infantil.

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