Vinícius de Moraes
Quinta,
9 de Set
 
O poeta do Sublime
   
LETRAS DE MÚSICAS QUE EMBALARAM GERAÇÕES

Letras de músicas que embalaram gerações

 Garota de Ipanema  (Vinícius e Tom Jobim)

 Olha que coisa mais linda
 Mais cheia de graça
 É ela menina, que vem e que passa
 Num doce balanço a caminho do mar
 Moça do corpo dourado
 Do sol de Ipanema
 O seu balançado
 É mais que um poema
 É a coisa mais linda que eu já vi passar
 Ah, porque estou tão sozinho
 Ah, porque tudo é tão triste
 Ah, a beleza que existe
 A beleza que não é só minha
 E também passa sozinha
 Ah, se ela soubesse
 Que quando ela passa
 O mundo inteirinho se enche de graça
 E fica mais lindo
 Por causa do amor


Bom dia, amigo (Vinícius e Baden Powell)

Bom dia, amigo
Que a paz seja contigo
Eu vim somente dizer
Que te amo
Tanto que vou morrer
Amigo... adeus

Carta ao Tom 74 (Vinícius e Toquinho)

Rua Nascimento e Silva, cento e sete
Você ensinando pra Elizeth
As canções de “Canção do Amor Demais”
Lembra que tempo feliz
Ah, que saudade
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E além disso se via da janela
Um cantinho do céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor

Cotidiano n 2 (Vinícius e Toquinho)

Hay dias que no se lo que me pasa
Eu abro meu Neruda e apago o sol
Misturo poesia com cachaça
E acabo discutindo futebol
Mas não tem nada não, tenho o meu violão (BIS)
Acordo de manhã, pão com manteiga
E muito, muito sangue no jornal
Aí a criançada toda chega
E eu chego achar Herodes natural
Mas não tem nada não, tenho o meu violão (BIS)
Depois faço a loteca com a patroa
Quem sabe o nosso dia vai chegar
E rio porque rico ri à toa
Também não custa nada imaginar
Mas não tem nada não, tenho o meu vilão (BIS)
Aos sábados, em casa tomo um porre
E sonho soluções fenomenais
Mas quando o sono vem e a noite morre
O dia conta histórias sempre iguais
Mas não tem nada não, tenho o meu violão (BIS)
Às vezes quero crer mas não consigo
É tudo uma total insensatez
Aí pergunto a Deus, escute amigo
Se foi pra desfazer, porque é que fez?
Mas não tem nada não, tenho o meu violão (BIS)

Ela é Carioca (Vinícius e Tom Jobim)

Ela é carioca, ela é carioca
Basta o jeitinho dela andar
Nem ninguém tem carinho assim, para dar
Eu vejo na luz dos seus olhos
As noites do Rio ao luar
Vejo a mesma luz, vejo o mesmo céu, vejo o mesmo mar
Ela é meu amor, só me ver a mim
A mim que vivi para encontrar
Na luz do seu olhar, a paz que sonhei
Só sei que sou louco por ela
E pra mim ela é linda demais
E além do mais, ela é carioca, ela é carioca

Formosa (Vinícius e Baden Powell)

Formosa, não faz assim
Carinho não é ruim
Mulher que nega, não sabe não
Tem uma coisa de menos no seu coração
A gente nasce, a gente cresce, a gente quer amar
Mulher que nega, nega o que não é para negar
A gente pega, a gente entrega, a gente quer morrer
Ninguém tem nada de bom sem sofrer

Gente Humilde (Vinícius, Chico Buarque e Garoto)

Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo meu peito a se apertar
Porque parece que acontece de repente
Como um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo no subúrbio
 Eu muito bem vindo de trem de algum lugar
E aí de dá uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar
São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
É gente humilde, que vontade de chorar

Mais um adeus (Vinícius e Toquinho)

Mais um adeus, uma separação
Outra vez solidão, outra vez sofrimento
Mais um adeus, que não pode esperar
O amor é um agonia, vem de noite e vai de dia
É uma alegria, e de repente uma vontade de chorar
Olha benzinho cuidado com seu resfriado
Não pegue sereno, não tome gelado
O gim é um veneno, cuidado benzinho, não beba demais
Se guarde só pra mim, a ausência é um sofrimento
E se tiver um momento me escreva um carinho
E mande o dinheiro pro apartamento
Porque o vencimento não é como eu, não pode esperar
O amor é uma agonia, que vem de noite e vai de dia
É uma alegria, e de repente uma vontade de chorar

Menina das duas tranças (Vinícius e Toquinho)

Menina das duas tranças, deixa o meu filhinho em paz
Que ele ainda é muito criança, pras coisas que você faz
Baixe seu olhar escuro, Cubra esse peitinho em flor
Que ele ainda não está maduro, pra essa escuridão de amor
Vá-se embora, t’esconjuro, deixe o filho meu
Basta neste negro mundo, o que o pai sofreu
Menina das duas tranças, deixe o meu paizinho em paz
Que ele não é mais criança, pras coisas que você faz
Pare de deitar quebranto, chega dessa mostração
Que meu pai já sofreu tanto, só viveu desilusão
Vá-se embora, t’esconjuro, deixe em paz meu pai
Mais que seu olhar escuro, é pra onde ele vai

Menininha (Vinícius e Toquinho)

Menininha do meu coração
Eu só quero você, a três palmos do chão
Menininha não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada, batendo palminha
Fingindo assustada do bicho-papão
Menininha que graça é você
Uma coisinha assim começando a viver
Fique assim, meu amor, sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim e você
Vai sofrer de repente uma desilusão
Porque a vida é somente o teu bicho-papão
Fique assim, fique assim , sempre assim
E se lembre de mim pelas coisas que eu dei
E também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim de tudo que eu amei

Morena Flor (Vinícius e Toquinho)

Morena flor me dê um cheirinho cheinho de amor
Depois, também me dê todo esse denguinho que só você tem
Sem você, o que ia ser de mim
Eu ia ficar tão triste, tudo ia ser tão ruim
Acontece que a Bahia fez você todinha assim
Só para mim

Onde anda você (Vinícius e Hermano Silva)

E por falar em saudade
Onde anda você
Onde andam seus olhos, que a gente não vê
Onde anda esse corpo que me deixou morto de tanto prazer
E por falar em beleza
Onde anda a canção
Que se ouvia nas noites, dos bares de então
Onde a gente ficava, onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio na noite vazia, numa boemia sem razão de ser
Na rotina dos bares, que apesar dos pesares
Me trazem você
E por falar em paixão
Em razão de viver
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, nas noites, nos bares
Onde anda você

Por que será? (Vinícius e Toquinho)

Por que será, que eu ando triste por te adorar
Por que será, que a vida insiste em se mostrar
Mais distraída dentro de um bar, por que será
Por que será que o nosso assunto já se acabou
Por que será que o que era junto se separou
E o que era muito se definhou, por que será
Eu quantas vezes, me sento à mesa de algum lugar
Falando coisas só por falar
Adiando a hora de te encontrar
É muito triste, quando se sente tudo morrer
E ainda existe o amor que mente para esconder
Que o amor presente não tem mais nada para dizer

Samba de Orly (Vinícius, Chico Buarque e Toquinho)

Vai meu irmão, pega esse avião
Você tem razão, de correr assim desse frio
Mas beija, o meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro lance mão
Pede perdão, pela duração
Dessa temporada, mas não diga nada
Que me viu chorando
E pros da pesada, diz que eu vou levando
Vê como é que anda, aquela vida à toa
E se puder me manda
Uma notícia boa

Só danço samba (Vinícius e Tom Jobim)
Só danço samba, só danço samba
Vai, vai, vai, vai, vai
Só danço samba, só danço samba, vai
Já dancei o twist até demais
Mas não sei me cansei
Do calipso ao chá chá chá

São demais os perigos desta vida (Vinícius e Toquinho)

São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão
Principalmente, quando a lua chega de repente
E se deixa no céu como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí, então, é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer de tão perfeita
Uma mulher que é como a própria lua
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua

A felicidade (Vinícius e Tom Jobim)

Tristeza não tem fim, felicidade sim (BIS)
A felicidade é como a gota de orvalho
Numa pétala de flor
Brilha tranqüila, depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho, pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira
Tristeza não tem fim, felicidade sim (BIS)
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve, mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada, fale baixo por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

Chega de Saudade (Vinícius e Tom Jobim)

Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai
Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim
Não quero mais esse negócio de você longe de mim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim

Como dizia o poeta (Vinícius e Toquinho)

Quem já passou por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada não (BIS)
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão
Abre os teus braços meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai, de quem não rasga o coração
Esse, não vai ter perdão

Insensatez (Vinícius e Tom Jobim)

A insensatez, que você fez coração mais sem cuidado
 Fez chorar de dor, o seu amor
 Um amor tão delicado
 Ah, porque você, foi fraco assim, assim tão desalmado
Ah, meu coração, quem nunca amou
Não merece ser amado
Vai meu coração
Ouve a razão, usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado

Marcha da quarta-feira de cinzas (Vinícius e Carlos Lyra)

Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais, brincando feliz
E nos corações, saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê, que nem se sorri
Se beija e se abraça e sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem, qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança, contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz

O astronauta (Vinícius e Baden Powell)

Quando me pergunto
Se você existe mesmo, amor
Entro logo em órbita
No espaço de mim mesmo amor
Será que por acaso, a flor sabe que é flor
E a estrela Vênus sabe ao menos
Porque brilha mais bonita, amor
O astronauta ao menos
Viu que a terra é toda azul, amor
Isso é bom saber
Porque é bom morar no azul, amor
Mas você, sei lá
Você é uma mulher
Sim, você é linda porque é

O filho que eu quero ter (Vinícius e Toquinho)

É comum a gente sonhar eu sei
Quando vem o entardecer
Pois eu também dei de sonhar
Um sonho lindo de morrer
Vejo um berço e nele eu me debruçar
Com o pranto a me correr
E assim, chorando, acalentar
O filho que eu quero ter
Dorme meu pequenininho
Dorme que a noite já vem
Teu pai está muito sozinho
De tanto amor que ele tem
De repente eu o vejo se transformar
Num menino igual a mim
Que vem correndo me beijar
Quando eu chegar lá de onde eu vim
Um menino sempre a me perguntar
Um porquê que não tem fim
Um filho a quem só queira bem
E a quem só diga que sim
Dorme menino levado
Dorme que a vida já vem
Teu pai está muito cansado
De tanta dor que ele tem
Quando a vida enfim me quiser levar
Pelo tanto que me deu
Sentir-lhe a barba me roçar
No derradeiro beijo seu
E ao sentir também sua mão vedar
Meu olhar dos olhos seus
Ouvir-lhe a voz e me embalar
Num acalante de adeus
Dorme meu pai sem cuidado
Dorme que ao entardecer
Teu filho sonha acordado
Com o filho que ele quer ter

O que tinha que ser (Vinícius e Tom Jobim)

Porque foste na vida à última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu sem eu saber sequer
Porque és o meu homem e eu tua mulher
Porque tu me chegaste sem me dizer que vinha
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh’alma como um amanhecer
Porque foste o que tinha que ser

Primavera (Vinícius e Carlos Lyra)

O meu amor sozinho
É assim como um jardim sem flor
Só queria poder ir dizer a ela
Como é triste se sentir saudade
É que eu gosto tanto dela
Que é capaz dela gostar de mim
E acontece que eu estou mais longe dela
Que da estrela a reluzir na tarde
Estrela, eu lhe diria
Desce a terra, o amor existe
E a poesia só espera ver nascer à primavera
Para não morrer
Não há amor sozinho
É juntinho que ele fica bom
Eu queria dar-lhe todo o meu carinho
Eu queria ter felicidade
É que o meu amor é tanto
Um encanto que não tem mais fim
E no entanto ele nem sabe que isso existe
É tão triste se sentir saudade
Amor, eu lhe direi
Amor que eu tanto procurei
Ah, quem me dera eu pudesse ser
A tua primavera
E depois morrer

Você e eu (Vinícius e Carlos Lyra)

Podem me chamar
E me pedir e me rogar
E podem mesmo falar mal
Ficar de mal, que não faz mal
Podem preparar, milhões de festas ao luar
Que eu não vou ir, melhor nem pedir
Que eu não vou ir, não quero ir
E também podem me intrigar
E até sorrir e até chorar
E podem mesmo imaginar
O que melhor lhes parecer
Podem espalhar que eu estou cansado

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