Vinícius de Moraes
Quinta,
9 de Set
 
O poeta do Sublime
   
ADAPTAÇÕES DE SUAS OBRAS

Orfeu da Conceição e Orfeu do Carnaval

      O primeiro ato da peça surge em 1940 em Niterói, na casa de Carlos Leão: o poeta estava lendo um livro sobre Orfeu e começa a escutar a batucada que vem do Morro do galeão. 'Daí nasce a idéia de um Orfeu sambista de grande beleza interior, desejado pelas mulheres e invejado pelos homens.

       O segundo ato só foi escrito quando ele estava servindo em Los Angeles, seis anos depois. Na peça, o Orfeu aparceia no carnaval carioca e buscava sua Eurídice em todas as mulheres.

     
      O terceito ato da peça, que perdeu-se na viagem de volta ao Brasil, foi re-escrito em 1953, com o apoio do poeta João Cabral de Mello Neto. A peça foi premiada no concurso de IV Centenário do Estado de São Paulo, e em 1954 foi publicado na Revista Anhembi.


Ao lado, Vinícius de Moraes e seu amigo João Cabral de Mello Neto.

       Em 1956 a peça foi montada no Teatro Municipal do Rio, com um elenco predominantemente de negros. Orfeu era interpretado por Haroldo Costa; Eurídice era Dirce Paiva; Léa Garcia fazia Mira e Cyro Monteiro era Apolo. Os cenários foram de Oscar Niemeyer. Agora só faltava alguém para fazer as músicas da peça. Foi então que Lúcio Rangel e Haroldo Barbosa apresentaram a Vinícius o rapaz que tocava nos inferninhos de Copacabana: Tom Jobim. Daí nasceu a parceria entre os dois.

      As músicas da peça eram "Se todos fossem iguais a você", "Lamento no Morro", "Um Nome de Mulher", "Mulher sempre Mulher", "Eu e o meu Amor" e a valsa "Eurídice", esta feita em Paris, em 1953 para Suzana (sua filha).

      A estréia de peça foi um acontecimento, porque era a primeira vez que um negro pisava no palco do Teatro Municipal.

      O filme Orfeu do Carnaval foi uma produção franco-ítalo-brasileira de 1958. Ele conquistou a Palma de Ouro na Festival de Cannes de 1959 e o Oscar como melhor filme estrangeiro.

      O produtor do filme, Sacha Gordine, exigiu que a partitura original da peça incluísse canções inéditas, aí surgiram "O nosso Amor" de Tom, "Felicidade" de Vinícius e Tom, "Manhã de Carnaval" de Luís Bonfá, "Samba de Orfeu" de Bonfá e Antonio Maria.

      O filme conta a história de Orfeu, na figura de um condutor de bonde. Na favela onde mora, no Morro da Babilônia, às vésperas do carnaval, chega a jovem Eurídice, vinda do interior para visitar a prima Serafina e fugir de um estranho personagem, que fantasiado de Morte, anda a persegui-la ameaçando sua vida. Embora noivo de Mira, porta-bandeira da escola, Orfeu apaixona-se por Eurídice e promete protegê-la. Durante o desfile das escolas, quando Eurídice substitui Serafina e é desmascarada por Mira, o espectro da morte executa sua missão.

      O filme teve grande repercussão internacional.

Pobre Menina Rica

      É uma peça de teatro feita por Vinícius e Carlos Lyra e que estreou em 1963 na boate Au Bon Gourmet, lançando Nara Leão como cantora. A peçaconta a história do amor entre um mendigo que vivia num terreno baldio e uma menina rica que morava no edifício luxuoso na Vieira Souto.

      O enredo da peça era simples e romântico, e se desenrolava através de canções. "A Marcha do Amanhecer" retratava a manhã na comunidade de mendigos; "Cartão de Visitas" era a canção da apresentação do mendigo-poeta; a canção "Broto Triste" é quando o mendigo-poeta descobre a menina rica que canta a música tema no alto da sacada de seu luxuoso apartamento. Aí tem início o romance entre os dois. "Primavera", cantada em dueto, retrata o namoro de sacada. Na canção "Sabe Você' o mendigo-poeta discute com o mendigo-ladrão: isso é presenciado pela menina, que se apixona definitivamente por ele. "Pau-de-arara" marca a passagem de um novo personagem, o comedor de gilete, que é um paraibano que ganha a vida na ciade grande comendo gilete em praça pública.

      Quando aparece a "Canção do Amor que Chegou", o mendigo-poeta vai ao encontro da menina rica. A canção "Maria Moita", é quando a menina conhece Maria Moita que é a mulher do Carioca, o chefe da comunidade dos mendigos e esta lhe conta sua história. Na canção "Minha Desventura" o mendigo-poeta perde o amor da menina rica, depois que deixa de ser pobre ao receber uma herança de Num-Dou, um mendigo qe havia acumulado uma fortuna em jóias que uma ricaça jogava pela janela cada vez que brigava com o marido.

      A "Valsa-Dueto" é o epílogo cantado peos namorados.

      A peça também foi montada no Teatro Maison de France, com direção de Carlos Lyra, e no Teatro de Bolso, com a participação especial de Ari Toledo cantando o "Pau-de-arara".

      Na década de 80, a peça vira filme com roteiro de Miguel Faria Jr e Chico Buarque. O título passa a ser "Para Viver um Grande Amor" e o desenvolvimento da trama também muda, só permanecendo a idéia original.

      O filme passa a ser retratado num Rio de Janeiro totalmente diferente, após um processo de transformções políticas, sociais e econômicas profundas, onde a população pobre dos morros e da periferia começa a ocupar grandes apartamentos na Zona Sul. Assim , o mendigo-poeta passa a ser o poeta marginal, que conhece a menina rica, filha de um pai progressista e uma mãe conservadora.

      Das canções originais só foram aproveitadas tres: Primavera, Sabe Você e Samba do Carioca. As outras canções são de autoria de Tom Jobim, Chico Buarque e Djavan.

      O filme não chegou a alcançar o sucesso esperado.

Marília e Marina

      Um filme lançado em dezembro de 1976, baseado no poema "Balada para duas Mocinhas de Botafogo".

      O filme conta a história de duas irmãs, Marília e Marina, sem pai, com mãe doente e pobres. Tematiza a busca da ascensão social, do prestígio e da fortuna. Questiona o meio mais fácil de se deter tudo isso, que é o caminho da prostituição.

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