Vinícius de Moraes
Sabado,
30 de Ago
 
O poeta do Sublime
   
DADOS BIOGÁFICOS DO POETA

     Na madrugada do dia 19 de outubro de 1913, numa chácara na Rua Lopes Quintas, nascia um dos maiores poetas românticos do século XX: Vinícius de Moraes. Ele veio ao mundo pelas mãos de uma vizinha, que estava mais preocupada com a mãe do que com a própria criança. Isso fez com que ela esquecesse a janela aberta permitindo que a chuva e o vento forte daquela madrugada atingissem a criança. Em consequência, Vinícius pegou uma bronquite que o atormentou durante toda a sua infância e juventude.

     Vinícius era filho de Clodoaldo Pereira da Silva (também poeta) e Lídia Mello Moraes. Ele tinha tres irmãos: Helius, Lygia e Laetitia.

     A infância do poeta foi cheia de surpresas: ainda criança, quando tinha 9 anos, sua família passou por uma fase ruim (doença da mãe) e mudou-se para a Ilha do Governador. Foram morar em uma casa na Praia de Cocotá, onde Vinícius ia passar as férias, porque ficou morando na casa dos avós paternos, em Botafogo, pois estava cursando a Escola Primária Afrânio Peixoto, na Rua da Matriz, onde escreveu os primeiros versos e quadrinhas sobre situações e manias familiares.

     Foi nessa época que Vinícius conheceu o seu primeiro amor. Ela se chamava Maria Cacimira (Cacy), e estudava na mesma turma que ele. Um dia ele escreve uma poesia de amor para Cacy:  

"Quantas saudades eu tenho
de ti oh flor primorosa
Que em tudo és gentil e meiga
Que em tudo és tão graciosa.

Oh quantas saudades quantas
de ti meu bem lá se vão
Como uma garça voando
cerrando o meu coração

Se eu pudesse descrevê-las
Oh quantas, quantas não são!
Mas só de ti, são só tuas
Cacizinha do coração." 

                                     
(Rio, 8/11/1922)

     Foi durante as férias e os finais de semana na casa dos pais, na Praia de Cocotá, que Vinícius começou a ter contato com a poesia e a música. Em 1924 entra para o Colégio Santo Inácio, em Botafogo, e começa a montar peças de teatro e cantar no coro da igreja.

     Nessa época, começa a aparecer o conflito entre a religião e a arte. Em 1928, junta-se aos irmãos Paulo e Haroldo Tapajós e forma um conjunto musical. Eles se apresentam em festinhas de bairro. Nesse período, as letras de Vinícius já expressavam o dualismo moral em que se debatia. No fox-trot "Loura ou Morena" o poeta mostra como se vive carnavalescamente, com disponibilidade para o prazer e a alegria.

"... Ai as mulheres
Que desespero
Que desespero de amor
E a lourinha
E a moreninha
Meu Deus que horror!..."

     Na "Canção da Noite" canta o sentimento da solidão no mundo e a impossibilidade de ser feliz.

"... Dorme
E sonha comigo com teu doce amigo..."

     Em 1930 ingressa na Faculdade de Direito do Catete, onde faz grandes amigos, entre os quais se destaca Octávio de Faria. Este foi um dos primeiros a acreditar na poesia de Vinícius, escrevendo sobre sua obra um longo estudo.

     Entra para o Centro Acadêmico de Estudos Jurídicos e Sociais, que na época era o lugar onde se reunia a elite dos jovens acadêmicos. Aí conhece San Thiago Dantas, Gilson Amado, Hélio Viana e Américo Jacobina Lacombe. Nessa época, passa a ler muito. Lê de tudo que aparece na sua frente: Rimbaud, Verlaine, Baudelaire, os simbolistas e românticos brasileiros, alguns gregos, pensadores católicos, Mauriac, Cocteau, Rilke, Péguy, tratados de Direito Romano, Valéry, Dostoievsky, Lawrence, Proust, etc.

     Escreve dois livros de poemas: "O Caminho para Distância",1933, e "Forma e Exegese", 1935. Esse segundo livro lhe valeu o Prêmio da Sociedade Felipe d'Oliveira. De 1936 à 1938, Vinícius passa por uma fase marcada pela influência do cinema e da literatura. Em 1936, lança "Ariana, a Mulher", um longo poema. No mesmo ano começa a representar o Ministério da Educação na Censura Cinematográfica (não precisa dizer que ele não censurava nada).

     Em 1938, publica o livro "Novos Poemas", onde aparecem os primeiros indícios da volta à terra. Neste mesmo ano ele consegue uma bolsa de estudos de literatura inglesa em Oxford. No caminho para Londres é tomado de recordações:

"as infindáveis discussões em Copacabana, no apartamento de Yeda e Augusto Frederico Schmidt; o jovem sem ser boêmio dormindo durante a sessão, sem reparar nos beijos voluptosos da heroína; ...; os poemas furtados do pai e exibidos como se fossem seus; ...; o prazer de cantar um samba canção, acompanhando-se ao violão; a inesgotável reserva de Carlos D. de Andrade;...; o autoritarismo da nova Constituição; ...; a última marcha de Lamartine; ... a paixão fulminante pela moça de São Paulo;..."

     Em Londres, Vinícius casa por procuração com Tati. Com o início da Segunda Guerra, o poeta é obrigado a voltar para o Brasil. Ele arruma um emprego como crítico de cinema e redator do Suplemento Literário do jornal "A Manhã".

     Nessa mesma época nasce a sua primeira filha, Suzana, e começa a escrever o livro  '"Poemas, Sonetos e Baladas", que seria publicado mais tarde.

     Em 1943, faz o concurso para o Itamaraty e ingressa na vida diplomática. Nesse mesmo ano publica o livro "Cinco Elegias". Três anos depois é designado para trabalhar em Los Angeles, como vice-cônsul. Vai sozinho, pois já tinha se separado da mulher e dos dois filhos, Suzana e Pedro, recém-nascido.


Na foto, ao lado, Vinícius aparece cercado por seus dois filhos. À direita aparece Pedro - já crescido. Enquanto, à esquerda, Suzana lhe dá um beijo no rosto.

     Em Hollywood começa a frequentar a vida boêmia. Toma porres homéricoa com Orson Welles, perambula por vários botequins bebendo ao som de Billie Holiday, Sarah Vaughan. Começa a sentir saudades da terra natal e a ter contato com o cinema.

     Em 1951, volta ao Brasil e vai trabalhar na Comissão do Instituto Nacional de Cinema. Volta a trabalhar como crítico cinematográfico no jornal "Última Hora" e em Flan. Dois anos depois trabalha em "A Vanguarda".

     Nesse meio tempo Vinícius se casa como Lila Bôscoli e tem mais duas filhas, Georgiana e Luciana. Vai para Paris como segundo Secretário da Embaixada, onde fica até 1956, e publica sua "Antologia Poética". Em Paris, ele começa a escrever o roteiro cinematográfico de sua peça "Orfeu Negro".       

   
   
 
  A peça é levada ao Teatro Municipal do Rio em maio de 1956. A música é de Luis Bonfá e os cenários de Oscar Niemeyer. Nessa época o poeta é apresentado a Tom Jobim. Nasce aí uma grande amizade em uma das maiores parcerias que já existiu na música popular brasileira.

 

     Foi no final da década de 50 que apareceu a Bossa Nova, que revolucionou a música com a batida diferente do violão de João Gilberto. Fez canções com Tom Jobim, choros com Pixinguinha, afro-sambas com Baden Powell, canções com Fancis Hime, ritmos nordestinos com Edu Lobo, românticos com Carlos Lyra. Através da música Vinícius moderniza a linguagem do amor no Brasil.

     Em 1968, após 24 anos de carreira diplomática, o poeta foi exonerado pelo AI-5, quando o presidente Costa e Silva num despacho, dizia: "Ponha esse vagabundo para trabalhar".

     Vinícius sempre foi considerado um funcionário medíocre, devido ao seu temperamento boêmio e à sua fama como poeta e compositor consagrado. Numa das últimas tentativas de aproveitá-lo, o Itamaraty confiou a ele o setor de publicações, que tinha ligação com o seu talento para letras. Mas o poeta jogou tudo por água abaixo quando publicou "As Moças do Arquivo" - onde ele deixava claro o que mais lhe interessava na vida burocrática. A única saída para Vinícius era a aposentadoria.

     A partir daí, Vinícius passa a se dedicar exclusivamente ao que gosta: poesia e música. Participa de festivais, shows, circuitos universitários. Faz várias parcerias e conhece Toquinho, que seria seu último parceiro, aquele em cujos braços ele viria a falecer. Na década de 70 o poeta faz um show memorável com Tom, Toquinho e Miúcha, no Canecão, Rio de Janeiro. Foi, inclusive, nesse show, que Vinícius reencontra uma antiga namorada.

     Depois de 1975, o poeta começa a sentir o peso da idade e de sua vida desregrada. Começam a aparecer os problemas causados pela bebida e pelo cigarro em excesso. Vinícius é obrigado a largá-los e a emagrecer alguns quilos. Entra em uma dieta e sofre sua primeira isquemia. Tem que ser operado (apesar de todo seu medo da morte) e quando estava se recuperando dá uma feijoada em sua casa para os médicos que o operaram. No entanto, sua saúde já estava muito debilitada, e ele vem a falecer na manhã de 9 de julho de 1980.

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